A minha vida se divide entre antes e depois da Luiza. Claro que estudar e morar em outra cidade, e depois casar foram mudanças marcantes também, mas nada comparável ao nascimento de minha filha.
Anos antes de “programar” a vinda da Luiza a este mundo, o relógio biológico já alertava dentro de mim:
- Está na hora de ser mãe, ter alguém para cuidar, zelar...
Internamente me questionava:
- Não está faltando alguém nesta viagem, nesta cadeira do restaurante?
Ter acompanhado de muito perto o nascimento do meu sobrinho foi também decisivo para ir em busca de um bebê. Pedro despertou meu lado materno. Mas, confesso que ter sido tia antes de ser mãe foi maravilhoso.... não me preparou muito porque as tias ficam com o lado bom ... brincar, passear...agora ser mãe se torna um desafio diário.
Ele começou a me provocar mensalmente. Até que decidimos que havia chegado a hora. Então fiz os exames para preparar a gestação de 12 meses, já que ela começa antes da concepção,com as conhecidas vitaminas e o importante ácido fólico. Tudo programado, ajustado com o calendário, se passaram três meses e nada. Cada mês era uma frustração.
- Não era a hora. Vamos ter quer tentar no próximo mês.
Até confirmar a gravidez foram mais de seis meses. O de junho, no qual engravidei, foi de muita emoção em ambos sentidos: tensão, ansiedade, medo, insegurança, dúvida, incerteza. Minha menstruação atrasou... mas o teste de farmácia que fiz, deu negativo.
Mais uma frustração... só que desta vez foi diferente, não menstruei e percebia a cada dia que meu corpo estava diferente: cólicas, seios inchado. Não encontrava explicações, resolvi esperar mais uns dias e me agarrar a minha fé. Acreditei em uma provável gravidez. Quando falo em fé, meu referencial é minha avó materna, devotada de Nossa Senhora Aparecida. Voltei minhas orações a ela e acreditei que pudesse mesmo estar grávida. E estava. Refiz o exame de farmácia. Positivo. Para ter certeza, pela manhã corri para o consultório da minha ginecologista, peguei a guia de exame e voei para o laboratório. O resultado saiu no período da tarde, positivo!!
Neste momento surgia outra Mariana...
Uma pessoa mais preocupada com a saúde, parei de comer comida japonesa, esqueci da cervejinha, comecei a devorar livros, revistas e informações sobre gravidez. Estudei o desenvolvimento do bebê mês a mês, fiz curso para gestantes, elaborei listas de enxoval, recortei revistas de decoração, desenhei o enxoval do berço, resolvi me aventurar pelo artesanato; fiz caixas, pintei quadrinhos... lavei roupinhas na mão com sabão de coco, passei no vapor uma a uma. Comprei o Diário da Mamãe e contei dia a dia as mudanças e descobertas da gravidez durante 38 semanas de gestação. Sempre apertava o play para ouvirmos Luiza de Jobim.
Nesta fase, três momentos são inesquecíveis antes do nascimento de Luiza: o primeiro ultrassom (seis semanas), uma bolinha pequena no útero não parecia nada, mas era sinal que ele estava preparado para abrigar meu bebê; a descoberta que seria uma menina (treze semanas), sentia que seria uma menininha, sempre me imaginei mãe de uma, sonhava com um quatro lilás que havia visto em uma revista. Fiquei muito ansiosa, nervosa, sem dormir. Quando a médica me contou que seria menina... não acreditei, fiquei sem reação. As lágrimas vieram depois de duas horas da notícia e depois foi a primeira vez que senti a Luiza mexer (22 semanas). Como demorava a pegar no sono... assistia filmes, telejornais e eum um sábado, deitada na cama assistindo ao Alta Horas, na Globo, na minha barriga fez umas ondas para esquerda e direita. Vi e senti. Mágico, único.
Até o dia do nascimento de Luiza foram muitas histórias, emoções... a história dela comigo começou de uma dúvida, partiu para a certeza e me conquistou a cada semana que crescia em meu ventre. Fui me tornando mãe de acordo com o seu desenvolvimento e quando a tive em meus braços descobri que ser mãe é nada mais que instinto, é divino, inexplicável.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
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